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O Teatro Brasileiro de Comédia

O Teatro Brasileiro de Comédia -TBC- surgiu em 1948, em consequência de uma fase promovida por Francisco Zampari, um amante das artes, que escreveu em 1945 uma peça de teatro chamada "A mulher de Braços Alçados". Napolitano, engenheiro das Indústrias Matarazzo, apresentou sua peça numa festa da alta sociedade de São Paulo. Essa "brincadeira" entre amigos é a semente que brota e acaba motivando Zampari para uma dedicação mais profunda ao teatro.

Obra de Mário de Andrade Nas décadas 30 e 40 predominavam no teatro brasileiro, espetáculos humorísticos centralizados em um ator principal, valorizados por sua habilidade e capacidade de se comunicar diretamente com o público e improvisar perante ele. Normalmente o ator era o dono da companhia e sua principal atração. Jaime Costa, Procópio Ferreira e Dulcina de Morais são exemplos.

Nos anos 40 grupos constituídos por universitários, intelectuais e profissionais liberais se organizavam em busca de transformar uma prática teatral que lhes parecia ultrapassada. Suas ações tinham dois alvos prioritários: o repertório e a técnica, que deveriam ser modificados, atualizados.

Movidos à força da paixão, os amadores brasileiros sonharam com um teatro radicalmente transformado e viabilizaram parte desse projeto na esfera não profissional que era a sua, contaminaram com ideais algumas personagens-chaves. Como foi o caso de Francisco Zampari, que viria a ser o fundador, o patrono do Teatro Brasileiro de Comédia.

Em 1948 Zampari, associado a um grupo de empresários de São Paulo, cria o TBC. Transforma um velho casarão em teatro aparelhado com 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina da carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, além de modernos equipamentos de luz e som. Um luxo para a época. O que confirma a idéia que de ser um teatro feito para a elite da época.

Na noite de 11 de outubro, o TBC estreia com espetáculo duplo. "A Voz Humana", monólogo de Jean Cocteau, interpretado em francês pela atriz Henriette Morineau e a peça "A Mulher do Próximo", escrita e dirigida por Abílio Pereira de Almeida. No elenco está a jovem atriz Cacilda Becker, que mais tarde se torna um dos maiores mitos do teatro brasileiro. A estréia é um sucesso.

Cartaz da peça 'O Burguês Fidalgo' Renovado a sistemática do trabalho teatral, o TBC monta uma equipe fixa, com encenadores estrangeiros. Além de cenógrafos, iluminadores e conotécnicos, contrata um corpo de atores que inclui Cacilda Becker, Sérgio Cardoso, Tônia Carrero, Paulo Autran e muitos outros nomes importantes para o teatro brasileiro.

Ao longo de sua existência o TBC alterna grandes sucessos e fracassos de público. Talvez por isso tenha ficado vulnerável às constantes crises econômicas que o levaram ao fechamento em 1964.

O TBC é um marco na história do teatro brasileiro. Fez uma das mais importantes revoluções do teatro no Brasil ao estabelecer um novo conceito de profissionalismo. Apresentou textos de qualidade, com montagens bem cuidadas e renovou o cenário cultural brasileiro.

Formou toda uma geração de atores, diretores e dramaturgos e ainda originou diversas companhias teatrais como as de Nydia Lícia e Sérgio Cardoso; de Tônia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran; e de Cacilda Becker, todos antigos atores do TBC. Também o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, que apesar de terem propostas diferentes têm o Teatro Brasileiro de Comédia como referência.