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O Teatro regional

Resgatar as raízes culturais do Brasil, por meio de lendas, músicas e dança. Tudo isso feito por uma linguagem própria e personagens fixos que nos faz lembrar a cultura nordestina. Estamos falando do Teatro Mamulengo, conhecido também por mão molenga, porque o mamulengueiro que conduz a brincadeira tem de ter habilidade manual para trabalhar ao mesmo tempo com vários bonecos. Embora essa linha teatral tenha sofrido influências estrangeiras, principalmente da Comédia Popular Italiana, o mamulengo segue uma temática contextualizada na cultura brasileira.

Valdeck Garanhuns Para enfatizar a proposta, os bonecos vestem roupas típicas da moda nordestina, como vestidos em tecidos floridos e cores vibrantes. Além disso, as apresentações seguem roteiros que abordam a situação atual política, sexualidade, drogas, ambientalismo, reforma agrária e cultura. Em São Paulo, por exemplo, Valdeck de Garanhuns, um dos três mestres em mamulengo do Estado, tem como principal objetivo defender e preservar a arte e a cultura brasileira. Ele que é formado em pedagogia e já trabalhou na Secretaria de Educação de Pernambuco, acredita que por meio da arte é possível educar e estabelecer a cidadania entre as crianças que assistem a apresentação, na qual é abordado os respectivos temas citados acima.

Entretanto para o artista, essa missão se torna difícil, pois, hoje não há mais do que 10 mamulengueiros no Brasil. Segundo Garanhuns, isso acontece por causa da difusão da tecnologia. "As conseqüências disso são o declive de nossa cultura", reflete.

 Apresentação

Apesar das peças de mamulengo abordarem temas tão complexos que são extraídos do dia-a-dia, as estórias são apresentadas de maneira hilária. Assim, o fantástico se torna cotidiano e o cotidiano se torna fantástico. Mas para que aconteça, é importante que no momento da apresentação, a platéia - que tem papel fundamental, pois interage no espetáculo - deve ver os fantoches não como bonecos, mas sim, como esculturas de alma.

Só com esse tipo de interpretação é possível compreender a mensagem das apresentações mamulengueiras. Atualmente, as peças duram cerca de uma hora, porém , os mestres em mamulengo precisam ter um bom condicionamento físico. Isso porque, dentro da barraca, onde os bonecos são conduzidos, o mestre - que também confecciona os fantoches - tem que ser poeta, ator, dançarino, improvisador e cantor, o que faz a apresentação ficar muito dinâmica.

Garanhuns por exemplo, além de usar todas essas habilidades, conta também com o apoio do contramestre, Sandro Roberto dos Santos e com os instrumentistas que animam o espetáculo com sanfona de oito baixos, triângulo, ganzã e zabumba. As canções, normalmente são compostas de improviso, isso de acordo com cada cena executada. E é ao som de forró e da música "Esperando na janela" de Gilberto Gil que Garanhuns encerra um espetáculo para estudantes do ensino fundamental na unidade do Sesi, Cidade A.E. Carvalho, Zona Leste.

É dessa forma que o ator conduz o seu trabalho, que segundo ele, é um brinquedo do povo feito para o próprio povo, onde a matéria do homem, junta-se à matéria do boneco para uma transfiguração. A alma do homem dá ao boneco também uma alma. E nesta pureza realizam um ato poético, que infelizmente no Brasil está ficando cada vez mais escasso.